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  • vitorleal7

COLOCAR NO PAU

Saiu de casa sem projeções maiores.

Sexo? Na mosca. Conversas de política? Já bastavam os chatos do trabalho. Alguma pequena porcentagem de coração entregue em alguma bandeja feita de carência? De jeito nenhum. Queria mesmo é escorrer por entre os problemas: gozo, suor e salina, entretenimento moderno é liquidez.


Na portinhola estilo velho oeste do bar, aquele mesmo da parte cool cidade, adentra e logo vê aquele cenário encardido de uma quinta feira de derrotados.


O balcão de carvalho, usado por quatro diferentes donos de bar desde 1940, tinha uma fina camada de cerveja que colocava os cotovelos dela em um aparente mergulho.


A caneca de chopp voa para sua mão e seu galanteio de pasta de hortelã barata começa.


- Boa noite.


O queixo no ombro esquerdo dela vem acompanhado de mudez.


- Você consegue ser mais gata ainda de frente.


- É mesmo?


- Voz sensual. Pacote completo.


- Você é ousado ou se acha muito.


- Busco meus objetivos. Apenas isso.


- Quais são eles?


- Isso você só vai saber se sairmos daqui. Dá uma olhada nesse corpão aqui, sorte grande a nossa.


- É. Você é estranhamente bonito para esse lugar.


- Mais uma vez, sorte a nossa.


Caio pede para ir ao banheiro. No seu interior, arruma as sobrancelhas, pega um pouco de água e deixa seu topete mais alinhado. Por fim, posta-se de frente ao espelho inspecionando seus dentes, como um cavalo tomando ar cheio de emoção ao se aproximar do cercado.


Ele sai com andar de vitória, não muda o olhar um só segundo, só mira nas costas descobertas dela.


- Voltei.


Ela se levanta, pega firme na mão dele, se lançando bar afora.


Entram na casa dele, se embolando como uma briga de cobras.


- Vamos para seu quarto, bonitão. Vou te sugar a alma.


- Está cheio de coisas do trabalho.


- Cala a boca, não corta meu tesão.


- Pensando bem, foda-se. Sou advogado famoso, delícia. Defendo maridos ricaços se livrando de suas barangas velhas.


- Ah é. Usa essa lábia toda de outra forma, vai.


Caio se abaixa e seus cabelos penteados são logo tomados pelas mãos em garra de águia dela.


O sexo é daqueles destruidores. Computadores, processos, todos tocados pelos fluídos do corpo. Intenso, porém rápido.


- Nossa, você é tudo o que demonstrou mesmo.


- E você, então. Acabou com minha bateria. Deixa até esticar um cochilo. Depois tem mais.


No susto, ele acorda sozinho. O aplicativo de mensagem apitava sem parar. O cliente Silas adverte para tomar cuidado com os documentos deixado para ele. Manda também uma foto da ex-mulher com uma mensagem: essa vaca frequenta o bar do lado da sua casa.

- Puta que pariu, os documentos.


Abre a agenda e escreve: 06/12 - preciso selecionar melhor quem coloco no pau.


VITOR LEAL

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